Jovens, CLT e conta própria: uma década de mudança no mercado de trabalho
Nos últimos dez anos, a forma de inserção dos jovens no mercado de trabalho brasileiro passou por mudanças relevantes. Dados da PNAD Contínua indicam que, entre o 1º trimestre de 2015 e o 4º trimestre de 2025, houve redução na participação do emprego formal no setor privado entre os jovens ocupados, ao mesmo tempo em que cresceram o trabalho sem carteira e o trabalho por conta própria.
Os três vínculos mais representativos
O gráfico abaixo compara, nos dois períodos, a participação de três posições ocupacionais que concentram a maior parte dos jovens empregados: emprego privado com carteira assinada, emprego privado sem carteira e trabalho por conta própria.
O emprego privado com carteira assinada passou de 51,5% para 48,1%, uma queda de 3,4 pontos percentuais. Já o trabalho por conta própria subiu de 13,6% para 17,2%, e o emprego sem carteira avançou de 18,0% para 21,3%.
O panorama completo das posições ocupacionais
Para além dos três vínculos principais, o gráfico a seguir exibe todas as posições ocupacionais, ordenadas pela magnitude da variação entre os dois períodos.
O que isso significa?
Esses números não significam necessariamente que os jovens estejam “escolhendo” sair da CLT. Parte desse movimento pode refletir mudanças na estrutura do mercado de trabalho, dificuldades de acesso ao emprego formal ou a expansão de novas formas de inserção produtiva.
Uma hipótese plausível é que essa recomposição não seja homogênea entre os jovens. O avanço do trabalho por conta própria pode estar associado a jovens com maior capital educacional e familiar, que encontram nesse tipo de ocupação oportunidades ligadas à economia digital ou ao empreendedorismo. Por outro lado, o crescimento do emprego sem carteira pode refletir a permanência, quiçá ampliação, da inserção precária entre jovens em situação de maior vulnerabilidade socioeconômica.
Desagregar esses movimentos por escolaridade, raça e renda familiar é o próximo passo para entender o que, de fato, está por trás dessa reconfiguração.
Dados: PNAD Contínua (IBGE), 1º trimestre de 2015 e 4º trimestre de 2025. Universo: jovens de 15 a 29 anos em situação de ocupação.