
Desempenho no Saeb 2023: um retrato do ensino médio público
Em 2023, estudantes do ensino médio da rede pública brasileira participaram mais uma vez da Prova Saeb, uma das principais avaliações nacionais de desempenho educacional. Para analisar esses resultados, utilizei a proposta metodológica do pesquisador e professor Francisco Soares, a mesma que embasa o cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (IDESP). Essa classificação divide os estudantes em quatro níveis de proficiência: Abaixo do Básico (menos de 275 pontos), Básico (entre 275 e 350), Adequado (entre 350 e 400) e Avançado (acima de 400).
A partir dos microdados do Saeb, elaborei as visualizações abaixo, que mostram a distribuição dos estudantes por estado, de acordo com esses níveis de desempenho.
Matemática
O que os dados revelam é preocupante: em todos os estados do Brasil, a maior parte dos estudantes está concentrada nos níveis mais baixos. Em muitos casos, mais da metade dos alunos não alcança sequer o nível básico de aprendizado. Em estados como Amazonas, Maranhão, Roraima e Bahia, por exemplo, mais de 70% dos estudantes terminaram o ensino médio com desempenho classificado como “Abaixo do Básico”.
Língua Portuguesa

Em Língua Portuguesa, o padrão se repete. Maranhão, Amazonas e Roraima voltam a figurar entre os mais críticos, com mais de 60% dos alunos classificados como “Abaixo do Básico”. Chama atenção também a quase ausência de estudantes no nível Avançado - a escala SAEB de LP para o ensino médio raramente ultrapassa os 400 pontos, o que reflete os limites da proficiência alcançada.
O que isso significa?
Esse retrato evidencia o tamanho do desafio que enquanto sociedade enfrentamos para garantir o direito à aprendizagem. O fato de tantos jovens concluírem a educação básica sem domínio dos conteúdos fundamentais de Matemática e Língua Portuguesa compromete não só suas trajetórias acadêmicas futuras, como também sua inserção no mundo do trabalho e sua capacidade de participação cidadã. Ao mesmo tempo, a análise por estado permite enxergar desigualdades regionais marcantes, que precisam ser levadas em conta na formulação de políticas públicas eficazes e equitativas.
Nota: Pelo fato de o Inep não divulgar a dependência administrativa (em cumprimento à LGPD), não foi possível separar as redes em estaduais, federais ou municipais. Os cortes de proficiência adotados seguem a metodologia de Francisco Soares, utilizada no cálculo do IDESP.